Resenha de O Silêncio da Floresta (Tana French)

Para reafirmar esta posição, Tana French apoia-se na ambiguidade das suas personagens, tendo o leitor sérias dificuldades em classificá-las como heróis ou vilões, vítimas ou algozes à medida que a história avança e aprendemos detalhes do seu passado.
Nesse sentido, merece destaque o uso inteligente de metáforas, especialmente a escavação arqueológica. Este cenário serve para aludir à necessidade urgente de alguns de seus personagens se livrarem do passado, destruí-lo e enterrá-lo novamente uma vez descoberto, pois representa um obstáculo em seu presente. As ruínas são os restos do que foram e preferem esquecer, daquilo que estava escondido dos olhos dos outros, sepultado pela vergonha e pelo medo de ser descoberto, e que agora ressurge para atormentá-los.

Apesar de ser um romance policial, Tana French opta pela prosa serena, que nos permite tanto apreciar a beleza das imagens detalhadas como mergulhar em alguns dos conflitos morais e pessoais suscitados nas suas páginas.

Da mesma forma, a narração em primeira pessoa, embora represente uma limitação por ter exclusivamente uma versão dos acontecimentos (justificando algumas das questões não resolvidas no final da leitura), facilita um diálogo direto entre personagem e leitor, reforçando a empatia e a personalização da leitura. a história.

Se a série de livros Milênio serviu para nos mostrar que os romances do gênero negro não se limitavam exclusivamente ao território anglo-saxão, Tana French consegue com O silêncio da floresta, não só se dá a conhecer como uma das autoras com maior potencial e talento, mas também nos oferece um livro capaz de abalar o leitor com o realismo e a proximidade da sua história. Simultaneamente, é um convite à reflexão sobre a sociedade que estamos a criar, mais egoísta e indiferente ao sofrimento dos outros.

O MELHOR: A simbologia da cena do crime e a riqueza dos detalhes. A ambigüidade dos personagens. A capacidade do autor de manter a intriga até o fim.

O PIOR: Certas desigualdades de ritmo. As limitações da narração em primeira pessoa. A utilização de alguns temas do gênero policial.

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