Ivo Bistrichki – FAR

IMG_20180130_130702Na galeria Intro, redescobri uma diferente Ivo Bistrichki – um pouco lírico, chegando às vezes à melancolia. Quando vejo um artista do calibre do Ivo tomando uma direção de experimentação diferente daquela que conheço de seu trabalho, sinto satisfação. Pois quando um artista nunca atinge o campo das suas próprias atividades e continua a superar-se, então ele está verdadeiramente a criar.

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A Exposição Distanteinstalada na galeria metropolitana “Intro” de 16 a 30 de janeiro, apresenta novos trabalhos de Ivo Bistrichki, pintado no ano passado. As paisagens, embora representem a imensidão do mar, estão longe da ideia romântica deste género marinho. Campos de cores frias, horizontes baixos e plataformas geométricas de concreto, pequenos acentos coloridos em forma de navios ao longe – tudo isso remete mais à agreste paisagem industrial do que à nossa imagem do mar, interrompido pela agitada superfície da água.

O autor define suas obras como uma exposição sobre contemplação e contemplação. Eles fazem com que o espectador, ao observá-los, caia em um estado de melancolia e atemporalidade. E até a meditação… O horizonte – ora baixo, ora alto, remete sempre àquele sentimento de esperança, mas também de medo do desconhecido, que a extensão do mar esconde; à admiração pela imensidão e perfeição da natureza, que nos fazem cair no esquecimento…

IMG_20180130_130800Composicional e tecnologicamente, as obras não surpreendem com nenhuma abordagem inovadora. Mas é precisamente nesta simplicidade que reside o seu encanto. Às vezes, a colocação mais clássica de objetos na tela é a mais difícil se o autor pretende causar algum impacto no espectador. Às vezes, um pequeno detalhe – seja um ponto colorido ao longe ou um cais para realçar a perspectiva da imagem – consegue “acalmar” a composição para que o visitante casual comum da galeria congele em humildade e contemplação.

IMG_20180130_130745Isso é o que Ivo Bistrichki alcançou em sua exposição “Far Away” – o impacto puramente emocional no espectador. Essa é também a diferença que o autor se propõe com essas obras. Porque nas suas pesquisas até agora, aposta sempre no dramático – seja causado pelo homem, como na sua exposição “Apocalipse – base de dados” (2011, galeria “Raiko Alexiev”) ou pela natureza – “Massiv” (2016; galeria de SBH, Rua Shipka 6), “Melancolia” (2015; Espaço contemporâneo – Varna).

EM “ausente” ele consegue ir além do formal em busca de respostas filosóficas e, graças à natureza, estimular o espectador a observar a distância em busca dessas respostas.

Boletim SBH, 2018, 2, 17-18

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